Projeto SCAF. Disputa entre Airbus e Dassault dita fim de caça franco-alemão

Projeto SCAF. Disputa entre Airbus e Dassault dita fim de caça franco-alemão

O presidente francês e o chanceler alemão, concluíram que as empresas envolvidas na construção de um caça conjunto não conseguiram chegar a acordo e desistiram do projeto.

RTP /
Junho 2025. Maqueta do caça de nova geração (NGF)-SCAF da Dassault Aviation, apresentada na 55ª edição do International Paris Air Show (Salon International de l'Aéronautique et de l'Espace - SIAE) Thomas Samson - AFP

De acordo com o Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA), Friedrich Merz e Emmanuel Macron concordaram em "não avançar com a construção de um caça conjunto", apurou esta segunda-feira a AFP junto do Governo alemão.

"Reconhecem esta realidade. O chanceler federal Merz sugeriu, por isso, ao presidente Macron que interrompa o desenvolvimento de um caça conjunto", acrescentou.

O projeto do Sistema Aéreo de Combate do Futuro (SCAF) estava paralisado devido à disputa entre as gigantes da aviação francesa e alemã quanto à proposta de divisão de trabalho e aos objetivos do avião militar.

A Alemanha e a França prometeram encontrar uma solução para o projecto de 100 mil milhões de euros até ao final de 2025, mas, seis meses, depois, o fracasso do acordo foi aceite.

Lançado em 2017 por Macron e pela chanceler Angela Merkel, e com a adesão de Espanha dois anos depois, o SCAF é um sistema que inclui não só aeronaves, mas também drones interligados por um inovador sistema de comunicação digital, uma "nuvem de combate".

Segundo o governo alemão, "o verdadeiro núcleo do SCAF deve ser desenvolvido como um sistema europeu de sistemas".

"Este é, de certa forma, o sistema nervoso que liga aeronaves, drones e outros componentes para formar um todo integrado", concluiu.

Já a 19 de fevereiro de 2026, Merz tinha afirmado que as necessidades militares da Alemanha divergiam das da França, levantando questões sobre se os dois países poderiam continuar a desenvolver conjuntamente um avião de caça. “Os franceses precisam de um caça de última geração capaz de transportar armas nucleares e operar a partir de um porta-aviões. Não é disso que precisamos atualmente no exército alemão”, disse o chanceler, no podcast Machtwechsel.


As declarações sublinharam uma crescente divergência entre Paris e Berlim, não só em relação à política industrial de defesa, mas também em prioridades estratégicas mais vastas, desde as despesas militares ao comércio.

No cerne da divergência em defesa está a questão de saber se uma única aeronave pode satisfazer duas doutrinas operacionais diferentes. Merz mostrou-se cético, pois a França e a Alemanha, observou, estão “em desacordo sobre as especificações e os perfis” do futuro caça.

Apesar disto, durante o Conselho Ministerial Franco-Alemão, na Alemanha, em Julho, espera-se que os ministérios da Defesa de ambos os países formulem um plano de trabalho conjunto e moderno para a cooperação na indústria de Defesa, com foco em alguns projectos realistas e relevantes, disseram duas fontes, esta sexta-feira, à agência Reuters.


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